na sala de espera compartilho a expectativa da partida,
olho as nuvens se movimentando,
e o brilho do sol de sabado refletindo brilhos e vozes infantis sobre o piso de marmore.
boa viagem.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Paisagem e culturas
Pois como dizemos paisagem em chinês?
Nao, como dizem, sem mais se interrogar sobre a sua escolha, as línguas europeias a partir de uma experiência perceptiva e definito’ria, como esta parte de pais que a natureza apresenta ao olho que a vê e que se estende ate onde a vista pode alcançar…, tal como se deixar abraçar por quem contempla, e que, na extensão , a visão recorta.
O ponto de vista exprimido na língua chinesa e’ aquela nao mais de uma indentificacao.., mas da interacao entre polos: os do alto e do baixo, do vertical e do horizontal, do compacto e do fluido, ou ainda do opaco e do transparente, do móvel e do imóvel.
Assim bem longe de se deixar conceber como um fracao ou porção de um pais submetida a autoridade do olhar e delimitada por um horizonte, a “paisagem” chinesa opera a globalidade funcional dos elementos, ou antes de fatores, de vetores, em interacao. O pintor chinês nao pinta um canto do mundo a partir da posição de um sujeito perceptivo e tal como o construiria em perspectiva; mas e’ a totalidade do dinamismo e sopro cósmicos, tais como se desdobram no grande processo do mundo, através do jogo infinitamente diverso de suas polaridades, que e’ encarregado de veicular o ela` vital do pincel.
Francois Jullien, in
O dia’logo entre as culturas
Do universal ao multiculturalismo.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Angustia territorial
A associação da ausência de uma localização fixa com uma crise de presença, - uma consciência que nenhuma sociedade tem assegurado de uma vez para sempre seu direito a existência-, nos faz sentir estar vivendo em uma constante ameaça, diante do perigo imediato de dissolução.
Este vazio potencial induz uma trama na existência social, na qual a permanência humana não esta’ mais garantida, ou segura, mas continuamente exposta ao riscos de não se manter, como hoje, como o desejado, ficando exposta e frágil como uma preterida ruína do instável futuro.
Organizada para a sobrevivência, para a participação na ordem do ser, toda sociedade tem que lidar com os problemas de sua existência pragmática, e "ao mesmo tempo estar preocupada com a verdade de sua ordem" .
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Um movimento sem fins, com meios.
Acompanhar, a
uma certa ou prudente distancia,
as ações e deslocamentos dos atores locais, em seus diversos níveis de
influencia, poder e manifestação, sejam eles públicos ou privados, me alivia o
envolvimento da decisão cotidiana e me permite apontar, ou ao menos tentar, a
critica dos seus procedimentos e intenções.
Uma posição na
mesa de reunião, um movimento do corpo, das mãos, a flexão velada da fala, o
gesto de reconhecimento ou cumprimento ou a distinta recusa me expõem, como o
tom da gravata, os reais, serão eles reais?, interesses que o discurso
escamoteia ou emite em limitada parte ou diapasão.
Alguém anota
com estudado cuidado uma data na agenda, um outro um rabisco sem sentido no
papel em branco, e um documento, um mapa que circula a mesa e desperta
preocupação, traz uma surda provocação, uma resposta evasiva, e assim a
reunião, em seus altos e baixos, chega ao fim, oponentes e aliados, uma decisão
em aberto a negociação futura, alguns recados deixados no ar, ameaças e
desafios.
Qual a ordem
oculta deste malabarismo?
Lucro, poder,
ideologia?
Quem representa
quem, a que serve esta pantomima sem palco, que pode decidir futuros
alternativos para o capital e para o trabalho, produzir uma nova situação e
reposicionar poderes e lucros?
De um lado, o
poder político, feito da árdua disputa eleitoral, dos compromissos públicos, são
temporários ocupantes.
Do outro lado,
ou do mesmo lado da mesa, o capital se move sorrateiro, nas brechas, nos
desvios, buscando o caminho mais rápido para manter e ampliar os seus lucros, armada
a lógica obtusa por entre os dentes afiados do caçador.
Onde se enfia,
avestruz, o observador?
Desaparecida em
nuvens a arquibancada, a cadeira, o suor, o entusiasmo da boa batalha,
Da boa vida,
Da boa.
Confirmado em maio 2015
Confirmado em maio 2015
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Desejos
Desconheço os retos caminhos
dos outros desejos,
improviso os meus,
livres movimentos pelos ares.
dos outros desejos,
improviso os meus,
livres movimentos pelos ares.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
registros e marcas
as ruínas ocupam os vazios e suas fachadas esgarçadas contra o céu esvaziam o sentido das estreitas ruas da capital,
como as janelas, deixando passar
a escuridão dos interiores desocupados,
deixando escapar
como as janelas, deixando passar
a escuridão dos interiores desocupados,
deixando escapar
os riscos deixados nas paredes,
as tintas descoradas pelas chuvas e pelo sol,
as tintas descoradas pelas chuvas e pelo sol,
as estatuas sem nome, em bronze e mármore.
quem quer guardar sem limite as memórias de outros,
guarda sem fins e objetivos
a tradição emprestada, dos vitoriosos, dos vencedores, dos donos do papel e dos lugares,
guarda sem fins e objetivos
a tradição emprestada, dos vitoriosos, dos vencedores, dos donos do papel e dos lugares,
sem fazer o futuro.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Estranhos e únicos momentos
Estranhos e únicos momentos, estes os primeiros a serem aproveitados, imprevisíveis, nas suas chegadas, quanto aos seus tempos de graça, de dons e retornos e que aguardam outras excepcionais oportunidades que poderão vir. E que Virão.
Nas festas, revoluções, nas comemorações e nos carnavais, quando o corpo suspende as repressões e se movimenta, renega, em liberdade, as convenções, e junto com o espírito se deixa tomar pelo êxtase, pela epifania, pelo jubilo, pelo prazer, nestes momentos excepcionais, as coisas do mundo adquirem novos sentidos, abrem-se para novas e mais profundas percepções, e a arquitetura e a cidade se transfiguram e brilham os seus escondidos encantamentos.
A pedras, paredes e portais se acendem, iluminam largos telhados e longos quintais que se estendem em cálidas sombras pelas estreitas e obliquas ruas coloniais.
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