sábado, 13 de fevereiro de 2016

Eles


As aranhas me ocupam o estômago,
zumbem incessantemente no ouvido esquerdo,
surdo, implantam a marca do ódio, da raiva, da intolerância.
A cidade machuca. Profundamente,
deixo escapar o gosto de fel e desgosto.
Como entender?

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Guarda



Há um exercício de esquecimento permanente na maneira que as coisas vão se acabando lentamente, se desmanchando ponto a ponto nas cidades, em Vitória, deixando em pó e areia os objetos, as casas e os acontecimentos, que ao menor sopro do vento se dissolvem no ar e na maresia junto ao canal do porto.

A cidade, entretanto, não revela seu passado, mas ele esta' ali, como as linhas da mão: escrito nas esquinas das ruas, .., cada segmento, por sua vez, marcado com arranhões, entalhes, ornamentos.
Italo Calvino

Como reconhecer e registrar, revelar o que esta perto, escrito logo ali, mas também o que se dissolve na areia?


setembro 2015

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

domingo, 1 de março de 2015

tigres

Escasseiam as palavras,
nos tentos e das promessas
sobram retalhos,
os tigres, sorrateiramente,
se deslocam pela cidade.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Flores do mal


Vejo muitos medos e angustias, preocupações e inseguranças nas faces burguesas, leio e ouço nos becos e colunas um ruído surdo, que ocupa os lares e as falas; sinto uma tensão no ar, uma pressa, uma urgência na cidade, mas quem são e de onde vem estes bárbaros, estes outros que incomodam tanta gente?
Quem são estes milhões, multidão que invade as nossa metrópoles, suja as nossas ruas e ocupa as nossas praças e praias com seus insensatos desejos, com seus impossíveis sonhos e suas enormes aflições?
Quem são estes estrangeiros que invadem o nosso mundo, em massa, inundam os nossos lugares com as suas novas aquisições, com seus carros brilhantes , seus bens e vestimentas de marca, enchendo em gritos os bares e os shoppings, se multiplicando em bandos familiares, deslocando-se em aplicadas tropas de jovens e de velhos?
Quem são estes que abandonam os seus sítios originais, e movendo sem ordem, filas e educações, caminhando sem princípios e fins, desconhecem as praticas e conhecimentos civis, quem são aqueles que deslocam com pressa, altivos, barulhentos e brutais, sem pátria e sem lei?
Não haverá chefes e comandantes neste exercito entusiasmado pelas  noites de sábados, pelos churrascos em domingos e dias de feriados, acelerados, seus corpos e espíritos, pelos inúmeros shows e espetáculos, animados pela musica ritmada das festas, dos ritos e comemorações?

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Aqui e ali



Fora do alcance imediato, e’ sempre logo ali, se aproximando, antecipado aqui, jogados, `a mesa, os dados e enigmas, cartas como surpresas, que conseguimos superar, abrir a porta ou pular o muro, dobrar a próxima esquina, acompanhar o som ou o cheiro da dor que mergulha, em suor, na multidão que ronda, indecente, a viagem despida.
Uma cidade, pelo movimento, desenhada no caminho, as suas ruas, eixos, visadas e brilhos, para os deslocamentos dos que levam sentido, vida e meia, passo a passo, em direção, e como, ao prazer e a emoção.
21/06/2013
carnaval
15/02/2015