pecadores
todos somos devedores, pecadores.
devemos aos bancos, aos amigos, estamos em débito com a contabilidade divina.
acelerados, domingos, desfilamos corpos sarados e solidões desamparadas às margens da baía, junto a outros, espremidos entre trailers de cerveja, espetinhos, pastéis e água de coco, disjuntos.
conseguiremos, na segunda-feira, negociar as inúmeras prestações vencidas e prestar contas dos pecados que pesam escuros na alma?
uma comunidade se constitui pela falta, que aproxima as alteridades e as faltas, torna próximas as fracassadas expectativas, encaminha vazias, dispersas, as práticas e ritos coletivos.
mas será esta ausência comum, resultado de um perda original, do pecado feito de origem, do traço que escapou ao mito fundador, que deixado a margem da caminhada, deslizou?
ou compartilhamos uma punição imposta pelos erros, um fracasso ímpar pelas travessias desastradas, escolhas equivocadas?
a lei nos torna pecadores, nos informa o pecado, desconhecido aos pecadores, quando impresso em pedra e tipos, antecipa os descaminhos.
kleber
junho 2026