segunda-feira, 20 de junho de 2011

Estranhos e únicos momentos

Estranhos e únicos momentos, estes os primeiros a serem aproveitados, imprevisíveis, nas suas chegadas, quanto aos seus tempos de graça, de dons e retornos e que aguardam outras excepcionais oportunidades que poderão vir. E que Virão.
Nas festas, revoluções, nas comemorações e nos carnavais, quando o corpo suspende as repressões e se movimenta, renega, em liberdade, as convenções, e junto com o espírito se deixa tomar pelo êxtase, pela epifania, pelo jubilo, pelo prazer, nestes momentos excepcionais, as coisas do mundo adquirem novos sentidos, abrem-se para novas e mais profundas percepções, e a arquitetura e a cidade se transfiguram e brilham os seus escondidos encantamentos. 
A pedras, paredes e portais se acendem, iluminam largos telhados e longos quintais  que se estendem em cálidas sombras pelas estreitas e obliquas ruas coloniais.

sábado, 21 de maio de 2011

Governanca das metropoles

Muito interessante esta coletanea, organizada por Jeroen Klink, apresentando conceitos , experiencias e perspectivas de questoes de gestao e planejamento em regioes metropolitanas, no Brasil e com analise de realidades  de outros paises ( Canada, Arica do Sul e China).
Vale a pena ler para quem se interessa compreender e propor novos modelos de gestao democratica e competente da regiao metropolitana de Vito'ria.
Editora AnnaBlume

sábado, 7 de maio de 2011

domingo, 10 de abril de 2011

Transparente e leve


A brisa e o vento, transparentes e leves, revelam o embate de dois sentimentos, do que se mantém estático e do que se realiza, na oposição da gravidade e da graça.
A gravidade, através do peso e da massa, qualidades fundantes da matéria, tanto natural como construída, suporta e fixa as coisas permanentes da cidade e do mundo.
A graça, em sua leveza, é a experiência dos mistérios, da fragilidade das mudanças, do acesso a seus encantos e fantasmas, quando, diz Lampedusa, “ Sob o fermento de um sol intenso, todas as coisas pareciam perder o peso”.
Observar as formas e matérias urbanas, sob este duplo olhar de admiração, nos faz compreender a sua dureza e a sua fluidez, a sua continuidade e as suas mudanças, a sua identidade e suas diferenças, oposição  do ser e das suas interpretações, pois, diz Marilena Chauí “o que causa admiração e melancolia é a perpétua instabilidade das coisas, sua aparição e desaparição, o nascimento e a morte, a geração e a corrupção dos seres”.
No mundo sensível, dos elementos  que sustentam a continuidade na unidade do ser, são as mudanças que alimentam a curiosidade dos que querem entender o nascimento e morte dos homens e de suas criações, que querem viver as transformações  do artificio e da natureza, que querem descrever as paixões e os conflitos que atingem a sociedade e movimentam os acontecimentos históricos.
Que novidades, hoje, trazem e circulam estes ventos e brisas, instantâneos e etéreos?
Novas pestes globais que não obedecem a fronteiras, saltam os limites de países e avançam sobre cada corpo desprotegido, inoculando a solidão, o sofrimento e a melancolia?
Ou serão eles como brisas saudáveis que, originárias de outros mares, trazem as notícias recentes do coração do mundo, carregando as novas e expondo ao uso humano, expandidas e potenciais interações sensíveis?
Eugene Montale nos anuncia um vento tão especial que soa como lâminas, em sua poesia Corne Inglês.
O vento que esta tarde faz soar diligente
__ lembra um ruidoso sacudir de lâminas__
os instrumentos das arvores copadas e varre o
o horizonte de cobre
onde rajadas de luz alongam
como pandorgas no céu que ribomba ...
e o mar que escama por escama,
lívido, se matiza,
lança à terra uma tromba
de espiraladas espumas;
o vento que nasce e morre
na hora que lenta escurece
pudesse ele esta tarde fazer-te soar também
desafinado instrumento,
coração.
Será possível conviver, peso e leveza, corpo e espírito, comungando neste artifício monstruoso e belo, nestas cidades dos homens e deuses, que não mais cabem em suas muralhas ?
Ambigüidades ocupam estes ventos virtuais.
Ao se deslocarem, instantaneamente, não pressionam os corpos e a atmosfera, deslizando por fibras óticas, por ondas, em oscilações tão finas e complexas que só a máquina matemática consegue decifrar as suas intenções. Os muros e paredes não são obstáculos, não alteram as suas direções ou interferem nos seus caminhos e pouco podemos perceber as distorcoes que produzem e as portas que batem e se deslocam.
Mas também são como sopros homogêneos, repetindo a exaustão, sobre os corpos desprotegidos, a mesma e idêntica ordem, desqualificando o sensível e o tátil subsitutuidos pela interface sem profundidade, igualando vontades e apetites que se encerram no imediato instante de suas satisfações.
Poderão conviver e somar, pedras e bits, conectados em pontos de telas, ou se oporão, matéria e virtual, em mundos estanques e estrangeiros, com seus próprios desígnios e valores, tentando impor modelos únicos de vida e indiferença?
Em ambos os circuitos, às permanências acumuladas tentam se opor ao esquecimento e a perda.
È insuportável manter cada e todo registro das coisas, acumulando-se em camadas sobre as fachadas e pisos, grudando-se a cada instante o novo e outro e mais, se imprimindo sem fim nos muros e pedras engrossadas de tanta informação.
Bom são as coisas que viram pó. Levadas pelo tempo e pelas intempéries desgrudam-se de seus suportes e volteiam pelos ares, não se agrupando em novas ordens e formas, mas deixando-se levar desgarradas até que nem o brilho do sol consiga mais captar as suas desaparições no final da tarde, quando as sombras ombreiam as luzes contra as montanhas e os sobrados da velha cidade.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Vitória Metrópole 1. Avaliação


Somente nesta ultima década, uma parte dos municípios brasileiros começou a assumir o papel, a importância  e capacidade legal e operacional que  lhe foram dados pela constituição de1988, que os constituiu como um ente federado e autônomo.
Mesmo subordinados a uma estrutura legal que lhe impôs muitas competências sem lhes fornecer a justa  distribuição fiscal por estas atribuições, principalmente na atenção a saúde básica e a educação fundamental e na gestão, controle e produção do território urbano, cujas necessidades de investimento e manutenção tiveram uma grande expansão, um grande esforço político e técnico tem movimentado prefeitos e cidades para suprir estas demandas crescentes de investimentos e custeios dos serviços públicos  continuados.
Passaram também, nesta década, os municípios a buscar um papel mais relevante na intervenção na economia, através da elaboração de planos estratégicos, onde além de benefícios fiscais e para fiscais, foram criados mecanismos de atração e estímulo a novas atividades, principalmente de pequenos e médios portes,  priorizadas a produção de infra-estruturas produtivas e educacionais e a consolidação das vocações e potencialidades locais e regionais de um desenvolvimento sustentável.
No Espírito Santo, como em outros estados federados semelhantes, a redução da população das pequenas cidades e a expansão, mesmo que mais moderada das médias e cidades metropolitanas, a complexificacao das atividades econômicas e o surgimento de uma nova classe media ascendente, mais exigentes do consumo dos bens e serviços públicos, de educação( necessária para o acesso ao novo e exigente mercado de trabalho, saúde ( básica e atendimento a terceira idade), do saneamento básico ( drenagem, coleta de lixo e esgoto), de espaços públicos de cultura, esportes, lazer e convivências locais acrescidos pela exponencial necessidade de mobilidade de bens, pessoas e informação exigem uma nova postura política na gestão compartilhada destes serviços e do ambiente natural e construído.
O caso da Grande Vitoria e’ exemplar. Constituída de quatro principais cidades de população semelhantes e receitas dispares, onde o crescimento da economia ainda e’ subordinado a poucas e grandes empresas, vinculadas a processos extrativos e exportadores, que geraram uma grande dependência e vulnerabilidade diante de crise externas, pouco ou nada se substancia em atividades colaborativas institucionais na região, embora a proximidade, a complementaridade econômica e os problemas urbanos e sociais comuns poderiam supor uma maior e melhor integração política e produtiva.
Exemplar também e’ a desigualdade da oferta de serviços  e equipamentos públicos, de  oferta de empregos e de acessos ao serviços de  assistência social nos  municípios limítrofes.
Do lado político, a legislação estadual pouco contribui para esta integração, colocando nas mãos únicas do poder estadual a gestão das empresas mais importantes de serviços públicos, o controle  e licenciamento do meio ambiente e subordinando as decisões metropolitanas a um conselho onde os municípios são minoria na sua composição e  nos processos decisórios mais significativos.
Do lado operacional e fiscal, a inexistência de fundos ou mecanismos  de compensação não estimula a  ação coordenada metropolitana na atração e fixação de novas empresas e negócios, a invenção, a expansão e a transferência  da inovação científica e tecnológica, o apoio as pequenas e medias empresas, o financiamento publico a projetos de interesse comum e na definição e construção de uma infra-estrutura física e virtual para potencializar a ações publicas e privadas.
Cabe também ressaltar que o governo do estado nos últimos governos não estruturou uma secretaria/ gerencia/ agencia, capaz e responsável pela gestão e  planejamento estratégico territorial metropolitano.
De um outro lado, os municípios , cada vez mais zelosos de suas autonomias, alem de ampliar seus quadros técnicos e burocráticos, tem disputado entre si recursos públicos e melhores posições e projetos , muitas vezes entrando em conflitos  e disputas desnecessárias .
O atual quadro político( relações harmoniosas) e econômico nacional e local( crescimento econômico acelerado e sustentado) contribui que possamos pensar e produzir ações concretas  e estratégicas para superar estes limites, acabar com a miséria e exclusão social, ampliar e  qualificar os serviços públicos, intervir nos processos econômicos e ao mesmo tempo impõem um quadro de urgência diante das aceleradas transformações demográficas, sociais e culturais, expressas nos resultados parciais do censo 2010 .
03/ 2011

domingo, 20 de março de 2011

Memoria: Desarmado


Por que ruas tão largas?
Por que ruas tão retas?
Meu passo torto foi regulado pelos becos tortos de onde veio,
carlos drumond de andrade